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	<title>O Sofá Verde &#187; Livros &amp; Literatura</title>
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		<title>O Sofá Verde &#187; Livros &amp; Literatura</title>
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		<title>Quatro mexicanos velando um insone</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2007 05:43:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sofaverde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros & Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[ O poeta magricela fazendo pose de detetive de filme noir na foto aí ao lado se chama Roberto Bolaño. É um bom sujeito, morreu faz tempo, mas está me dando mais trabalho do que devia nas últimas semanas. Devo &#8211; espero &#8211; escrever melhor sobre ele nos próximos dias, mas por enquanto fica aqui [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=347&subd=sofaverde&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://sofaverde.fabrica021.com/wp-content/uploads/bolano2.jpg" alt="bolaño5" /> O poeta magricela fazendo pose de detetive de filme <em>noir</em> na foto aí ao lado se chama <a href="http://www.clubcultura.com/clubliteratura/clubescritores/robertobolano/index.htm" title="Roberto Bolaño" target="_blank">Roberto Bolaño</a>. É um bom sujeito, morreu faz tempo, mas está me dando mais trabalho do que devia nas últimas semanas. Devo &#8211; espero &#8211; escrever melhor sobre ele nos próximos dias, mas por enquanto fica aqui a tradução de um poema muito bom dele chamado <a href="http://roberto.infrarrealismo.com/Poesia/rb04.html" title="Bolaño - El Burro" target="_blank">El burro</a>.</p>
<p>O Mario Santiago mencionado no texto foi um poeta que Bolaño conheceu na Cidade do México nos anos 70, quando tinham uns 20 anos.  Os dois lideraram um grupo de escritores obscuros &#8211; metade movimento literário, metade gangue de rua &#8211; que invadiam leituras de poetas famosos para declamar seus próprios textos e se interessavam mais por boxe e sinuca do que por literatura propriamente dita. Não demorou muito, Bolaño e Santiago caíram fora do México e passaram as duas décadas seguintes perambulando pelo mundo, escrevendo compulsivamente um para o outro e um sobre o outro, numa daquelas belas amizades literárias, até Santiago morrer subitamente, em 1998, atropelado por um caminhão.</p>
<p><span id="more-347"></span></p>
<p><strong>O burro</strong></p>
<p>Às vezes sonho que Mario Santiago<br />
vem me buscar com sua moto negra.<br />
E deixamos a cidade para trás e à medida<br />
que as luzes vão desaparecendo<br />
Mario Santiago me diz que se trata<br />
de uma moto roubada, a última moto<br />
roubada para viajar pelas pobres terras<br />
do norte, em direção ao Texas,<br />
perseguindo um sonho inominável,<br />
inclassificável, o sonho de nossa juventude,<br />
ou seja, o sonho mais valente de todos<br />
os nossos sonhos. E dessa maneira<br />
como negar-me a montar a veloz moto negra<br />
do norte e sair voado por aqueles caminhos<br />
que antanho percorreram os santos do México,<br />
os poetas mendicantes do México,<br />
os sanguessugas taciturnos de Tepito<br />
ou da colônia Guerrero, todos na mesma trilha,<br />
onde se confundem e mesclam os tempos:<br />
verbais e físicos, o ontem e a afasia.</p>
<p>E às vezes sonho que Mario Santiago<br />
vem me buscar, ou é um poeta sem rosto,<br />
uma cabeça sem olhos, boca ou nariz,<br />
apenas pele e vontade, e eu sem perguntar nada<br />
subo na moto e partimos<br />
pelos caminhos do norte, a cabeça e eu,<br />
estranhos tripulantes embarcados numa rota<br />
miserável, caminhos borrados pela poeira e a chuva,<br />
terra de moscas e lagartixas, matagais ressecados<br />
e tempestades de areia, único teatro concebível<br />
para nossa poesia.</p>
<p>E às vezes sonho que o caminho<br />
que nossa moto ou nossa ânsia percorre<br />
não começa em meu sonho e sim no sonho<br />
de outros: os inocentes, os bem-aventurados,<br />
os mansos, os que para nossa desgraça<br />
já não estão aqui. E assim Mario Santiago e eu<br />
saímos da Cidade do México que é o prolongamento<br />
de tantos sonhos, a materialização de tantos<br />
pesadelos, e nos embrenhamos pelos estados<br />
sempre rumo ao norte, sempre pelo caminho<br />
dos coiotes, e nossa moto então<br />
é da cor da noite. Nossa moto<br />
é um burro negro que viaja sem pressa<br />
pelas terras da Curiosidade. Um burro negro<br />
que se desloca pela humanidade e a geometria<br />
destas pobres paisagens desoladas.<br />
E o riso de Mario ou da cabeça<br />
saúda os fantasmas de nossa juventude,<br />
o sonho inominável e inútil<br />
da valentia.</p>
<p>E às vezes creio ver uma moto negra<br />
como um burro se afastando pelos caminhos<br />
de terra de Zacatecas e Coahuila, nos limites<br />
do sonho, e sem chegar a compreender<br />
seu sentido, seu significado último,<br />
compreendo não obstante sua música:<br />
uma alegre canção de despedida.</p>
<p>E talvez sejam os gestos de valor os que<br />
nos dizem adeus, sem ressentimento nem amargura,<br />
em paz com sua gratuidade absoluta e com nós mesmos.<br />
São os pequenos desafios inúteis &#8211; ou que<br />
os anos e o hábito consentiram<br />
que crêssemos inúteis &#8211; os que nos saúdam,<br />
os que nos fazem sinais enigmáticos com as mãos,<br />
no meio da noite, de um lado da estrada,<br />
como nossos filhos queridos e abandonados,<br />
criados sozinhos nestes desertos calcáreos,<br />
como o resplendor que um dia nos atravessou<br />
e que havíamos esquecido.</p>
<p>E às vezes sonho que Mario chega<br />
com sua moto negra no meio do pesadelo<br />
e partimos rumo ao norte,<br />
rumo aos povoados-fantasma onde moram<br />
as lagartixas e as moscas.<br />
E enquanto o sonho me transporta<br />
de um continente a outro<br />
através de uma ducha de estrelas frias e indolores,<br />
vejo a moto negra, como um burro de outro planeta,<br />
partir ao meio as terras de Coahuila.<br />
Um burro de outro planeta<br />
que é a ânsia desbocada de nossa ignorância,<br />
mas que também é nossa esperança<br />
e nosso valor.</p>
<p>Um valor inominável e inútil, é claro,<br />
mas reencontrado nas márgens<br />
do sonho mais remoto,<br />
nos fragmentos do sonho final,<br />
na trilha confusa e magnética<br />
dos burros e dos poetas.</p>
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		<title>Jim Dodge na Flip</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2007 03:40:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sofaverde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros & Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[ O poeta, jogador, filósofo e apanhador de maçãs Jim Dodge é mais um nome confirmado para a Flip deste ano, que acontece entre 4 e 8 de julho. Ao que parece, a organização do evento conseguiu convencer o escritor a se desentocar de seu sitiozinho sem eletricidade no interior da Califórnia para uma temporada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=333&subd=sofaverde&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img width="239" src="http://sofaverde.fabrica021.com/wp-content/uploads/jim.jpg" alt="jim" height="370" /> O poeta, jogador, filósofo e apanhador de maçãs <a target="_blank" href="http://www.canongate.net/JimDodge" title="Jim Dodge">Jim Dodge</a> é mais um nome confirmado para a <a target="_blank" href="http://www.flip.org.br/" title="Flip">Flip </a>deste ano, que acontece entre 4 e 8 de julho. Ao que parece, a organização do evento conseguiu convencer o escritor a se desentocar de seu sitiozinho sem eletricidade no interior da Califórnia para uma temporada em Paraty. Promete ser uma conferência divertida.</p>
<p>No ano passado, o melhor livro de Dodge foi reeditado no Brasil dentro da excelente coleção de bolso &#8220;Sabor Literário&#8221;, da José Olympio. <a target="_blank" href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1831538&amp;sid=0119153449425860293437132&amp;k5=17C0B2CA&amp;uid=" title="Fup - Jim Dodge">Fup</a> conta a história de um velho beberrão que recebe de um índio o segredo da vida eterna &#8211; a receita de um uísque caseiro chamado &#8220;Velho Sussurro da Morte&#8221; -; do neto dele, um órfão caladão obcecado por construir cercas; e de uma pata gorda e desengonçada chamada Fup, a quem os dois decidem ensinar a voar.</p>
<p>A Flip 2007, que já anunciou <a target="_blank" href="http://nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/2003/" title="Nobel">J.M. Coetzee</a>, <a target="_blank" href="http://lambiek.net/artists/s/spiegelman.htm" title="Pulitzer">Art Spiegelman</a>, <a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9sar_Aira" title="Pintor viajante">Cesar Aira</a>, <a target="_blank" href="http://www.will-self.com/" title="Inglês maluco">Will Self</a>, <a target="_blank" href="http://www.lawrencewright.com/" title="Pulitzer">Lawrence Wright</a> e mais uma penca de bons autores, tem tudo para ser bem interessante. Mas não tem jeito: como em todo ano, a figura mais procurada de Paraty será a estrela local <a target="_blank" href="http://www.agenciaonline.com.br/paraty/pinga_mariaizabel.asp" title="Conferência com Maria Izabel">Maria Izabel</a>.</p>
<p><strong>P.S. </strong>Como amostra grátis do talento de Jim Dodge, segue um poema dele que eu traduzi e o Tiago ficou de ilustrar há mais de seis meses mas até hoje nada (quem desconfiar da tradução pode ler o original <a target="_blank" href="http://www.canongate.net/News/Dodge-yPoems" title="The banker - Jim Dodge">aqui</a>):</p>
<p><span id="more-333"></span></p>
<p><strong>O gerente</strong></p>
<p>Seu sorriso é como a tampa fria da privada.<br />
Ele aperta minha mão como se a tivesse encontrado<br />
boiando morta há duas semanas no pântano.<br />
Digo a ele que preciso de dinheiro.<br />
Toneladas de dinheiro.<br />
Quero comprar um Lamborghini novo<br />
encher a mala de absinto e ópio<br />
e dar o fora dessas colinas chuvosas<br />
para passar uns anos em Paris.<br />
Tento explicar<br />
que atingi aquele ponto do meu desenvolvimento artístico<br />
que exige um longo período<br />
de reflexão opulenta.</p>
<p>O gerente revira minha carteira.<br />
Examina minha boca.<br />
Ri quando ofereço 20 sonetos miltonianos<br />
como garantia do empréstimo.<br />
Agora ele está sacudindo a cabeça, minha confiança,<br />
minha mão. &#8220;Espera&#8221;, eu peço,<br />
&#8220;Tenho dívidas e sonhos<br />
que meu atual fluxo de caixa é incapaz de sustentar&#8221;.<br />
&#8220;Desculpa&#8221;, ele murmura, &#8220;Nada que eu possa fazer&#8221;,<br />
e grampeia uns papéis<br />
de um jeito que me faz sentir<br />
que ele queria mesmo é pregar minha língua num formigueiro.<br />
Olho para ele incrédulo.</p>
<p>E sob a ira severa do meu olhar<br />
o gerente começa a mudar de forma.<br />
Primeiro, vira um prato de batatas-fritas geladas<br />
afogadas em óleo de motor.<br />
Depois, um ponto preto<br />
numa página do Gênesis.<br />
Finalmente, um besouro rola-bosta<br />
empurrando bolinhas de merda<br />
ao longo de uma mesa maior que minha cozinha.</p>
<p>Mas mesmo enquanto acompanho estas mórbidas mutações<br />
nunca perco de vista sua cara inchada,<br />
a pele verde, tratada,<br />
brilhando como carne podre.</p>
<p>Mas então suas outras faces<br />
abrem-se para mim.<br />
Pai, amante, jovem, criança -<br />
nossa história humana compartilhada<br />
reduzindo-nos a um.<br />
E apenas isso me impede<br />
de dar uma surra nele<br />
com uma meia cheia de moedas.</p>
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		<title>Solitário nunca mais</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2007 03:37:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sofaverde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros & Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Obituário]]></category>

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		<description><![CDATA[
O fato mais importante que aprendi em Tralfamador foi que quando uma pessoa morre, ela apenas parece morrer. Ela continua bem viva no passado, portanto é tolice chorar no seu enterro. Todos os momentos, passados, presentes e futuros, sempre existiram e sempre existirão. Os tralfamadorianos podem olhar para todos os momentos diferentes, assim como nós [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=324&subd=sofaverde&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://sofaverde.fabrica021.com/wp-content/uploads/vonnegut.jpg" alt="vonnegut" /></p>
<blockquote><p>O fato mais importante que aprendi em Tralfamador foi que quando uma pessoa morre, ela apenas parece morrer. Ela continua bem viva no passado, portanto é tolice chorar no seu enterro. Todos os momentos, passados, presentes e futuros, sempre existiram e sempre existirão. Os tralfamadorianos podem olhar para todos os momentos diferentes, assim como nós podemos olhar, por exemplo, para uma extensão das Montanhas Rochosas. Eles podem ver como são permanentes todos os momentos e podem olhar para qualquer momento que os interessar. É uma ilusão que temos aqui na Terra, de que um momento se segue ao outro, como contas num fio, e que, uma vez um momento tenha passado, ele se foi para sempre.</p></blockquote>
<blockquote><p>Quando um tralfamadoriano vê um cadáver, tudo o que pensa é que a pessoa morta está em más condições naquele momento particular, mas que essa pessoa está muito bem em numerosos outros momentos. Agora, quando me dizem que alguém está morto, simplesmente encolho os ombros e repito o que os tralfamadorianos dizem a respeito de gente morta: &#8220;Coisas da vida&#8221;.</p></blockquote>
<p>Ouçam: <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kurt_Vonnegut" target="_blank" title="Kurt Vonnegut Jr.">Kurt Vonnegut</a> está solto no tempo. O escritor americano morreu na quarta-feira, aos 84 anos, em conseqüência de uma lesão cerebral provocada por uma queda semanas antes. <a href="http://www.nytimes.com/2007/04/12/books/12vonnegut.html?_r=1&amp;oref=slogin" target="_blank" title="NY Times - Obituário: Kurt Vonnegut">Coisas da vida.</a></p>
<p><span id="more-324"></span></p>
<p>Vonnegut foi um dos primeiros autores que li na vida &#8211; lembro de encontrar <a href="http://www.amazon.com/Jailbird-Kurt-Vonnegut/dp/0385333900" target="_blank" title="Um pássaro na gaiola">Um pássaro na gaiola</a> meio por acaso, na biblioteca do bairro, com uns 13 anos, e ficar embasbacado com todas as possibilidades que aquele livrinho esquisito abria &#8211; e continua um dos meus preferidos até hoje. Era um daqueles escritores de estilo único, que parecia não vir de lugar algum, e que, por isso mesmo, dificilmente vai deixar herdeiros.</p>
<p>Os críticos costumavam etiquetá-lo como autor de &#8220;ficção científica&#8221; &#8211; no fundo, foi a forma que encontraram para se esquivar de tentar entendê-lo. Sua obra era um desafio para quem acredita em divisões rígidas entre literatura &#8220;realista&#8221; e literatura &#8220;de imaginação&#8221;. Em <a href="http://www.amazon.com/Slaughterhouse-Five-Kurt-Vonnegut/dp/0440180295" target="_blank" title="Matadouro nº 5">Matadouro nº 5</a>, por exemplo, Vonnegut mistura memórias da Segunda Guerra Mundial, alienígenas e viagens no tempo para contar a história do soldado Billy Pilgrim, que é capturado duas vezes &#8211; primeiro pelo Exército alemão, depois por habitantes do planeta Tralfamador &#8211; e, ao ser devolvido à Terra, fica solto no tempo, vagando entre uma época e outra de sua vida. A primeira frase do livro resume a posição de Vonnegut: &#8220;Tudo isso aconteceu, mais ou menos&#8221;.</p>
<p><em>Matadouro nº 5</em> é seu livro mais famoso, mas meu favorito sempre foi <a href="http://www.amazon.com/Breakfast-Champions-Kurt-Vonnegut/dp/0385334206" target="_blank" title="Café-da-manhã dos campeões">Café-da-manhã dos campeões</a>, um romance estranhíssimo em que Vonnegut escreve como se estivesse apresentando o planeta Terra a um alienígena, em parágrafos curtos e com a ajuda de desenhos explicativos feitos por ele mesmo (&#8220;Para dar uma idéia da maturidade das ilustrações que fiz para este livro, aqui está o meu desenho de um <a href="http://web.bvu.edu/organizations/tack/1999/04/23/Photos/asshole.jpg" title="Vonnegut's asshole" target="_blank">ânus</a>&#8220;).  No fim, Vonnegut reúne os personagens de suas obras anteriores na cidade fictícia de Midland e, numa cena desconcertante, &#8220;entra&#8221; no romance para anunciar a um dos protagonistas, o escritor de ficção científica Kilgore Trout, que decidiu conceder-lhes a alforria:</p>
<blockquote><p>&#8220;Estou me aproximando do meu quinqüagésimo aniversário, Sr. Trout&#8221;, disse-lhe, &#8220;e estou me purificando e renovando para esses anos muito diferentes que vêm. Em condições espirituais semelhantes, o Conde Tolstoi libertou seus servos. Eu vou pôr em liberdade todos os personagens literários que me serviram com tanta lealdade durante minha carreira de escritor. O senhor é o único a quem conto isto. Para os outros, esta noite será como outra qualquer. Levante-se, sr. Trout, o senhor está livre. O senhor está livre&#8221;.</p></blockquote>
<p>A reação de Trout é de cortar o coração, provando que Vonnegut, muito mais do que um escritor de gênero, foi um dos grandes autores do século passado &#8211; não é à toa que chegou a ser comparado, por quem soube ver nele o artista único que foi, a gente como Mark Twain e Voltaire.</p>
<p>Mas fiquem agora com <a href="http://www.vonnegut.com/" target="_blank" title="Vonnegut.com">um obituário mais eloqüente</a>.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/sofaverde.wordpress.com/324/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/sofaverde.wordpress.com/324/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sofaverde.wordpress.com/324/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sofaverde.wordpress.com/324/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sofaverde.wordpress.com/324/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sofaverde.wordpress.com/324/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sofaverde.wordpress.com/324/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sofaverde.wordpress.com/324/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sofaverde.wordpress.com/324/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sofaverde.wordpress.com/324/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sofaverde.wordpress.com/324/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sofaverde.wordpress.com/324/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=324&subd=sofaverde&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Confesso que vivi</title>
		<link>http://sofaverde.wordpress.com/2007/04/04/confesso-que-vivi/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Apr 2007 05:42:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sofaverde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros & Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[ Ricardo Eliezer Neftalí Reyes Basoalto, mais conhecido sobre a alcunha de Pablo Neruda, nasceu a 12 de julho de 1904 na pequena cidade chilena de Parral.
Até sua morte em 23 de setembro de 1973, apenas doze dias após o golpe militar de Pinochet, sua existência fora dedicada à carreira diplomática, à atividade política, às [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=310&subd=sofaverde&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://sofaverde.fabrica021.com/wp-content/uploads/neruda-1.thumbnail.gif" alt="neruda-1.gif" height="155" width="110" /> Ricardo Eliezer Neftalí Reyes Basoalto, mais conhecido sobre a alcunha de Pablo Neruda, nasceu a 12 de julho de 1904 na pequena cidade chilena de Parral.</p>
<p>Até sua morte em 23 de setembro de 1973, apenas doze dias após o golpe militar de Pinochet, sua existência fora dedicada à carreira diplomática, à atividade política, às mulheres e às letras.</p>
<p>Em homenagem ao maior poeta latino-americano de todos os tempos, a Universidade do Chile mantém online um enorme e completo <a href="http://www.neruda.uchile.cl/index.html" title="Pablo Neruda">acervo</a> com a biografia e a antologia de Neruda.</p>
<p>Os poemas de <a href="http://www.neruda.uchile.cl/obra/obraciensonetos5.html" title="Cien Sonetos de Amor - LXVI">amor</a>, os poemas <a href="http://www.neruda.uchile.cl/obra/obrafindemundo1.html" title="Fin de Mundo - Sepan lo sepan lo sepan">políticos</a>, as <a href="http://www.neruda.uchile.cl/obra/obraodaselementales3.html" title="Odas Elementales - Oda al d�a feliz">odes</a> à vida, o <a href="http://www.neruda.uchile.cl/discursoestocolmo.htm" title="Neruda - Discurso de Estocolmo">discurso</a> de agradecimento quando do recebimento do prêmio Nobel de Literatura. Está quase tudo lá, com direito a alguns arquivos em <a href="http://www.neruda.uchile.cl/obra/obra3.htm" title="Neruda recita seus poemas">aúdio</a>.</p>
<p>Aqui, na minha opinião, uma de suas obras mais bonitas:</p>
<blockquote><p><em><strong> Veinte poemas de amor y una canción desesperada </strong></em></p>
<p><em><strong>Poema 20</strong></em></p>
<p><em>Puedo escribir los versos más tristes esta noche.</em></p>
<p><em>Escribir,                  por ejemplo: &#8220;La noche está estrellada,<br />
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos&#8221;.</em></p>
<p><em>El viento                  de la noche gira en el cielo y canta.</em></p>
<p><em>Puedo escribir                  los versos más tristes esta noche.<br />
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.</em><span id="more-310"></span></p>
<p><em>En las noches                  como ésta la tuve entre mis brazos.<br />
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.</em></p>
<p><em>Ella me quiso,                  a veces yo también la quería.<br />
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.</em></p>
<p><em>Puedo escribir                  los versos más tristes esta noche.<br />
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.</em></p>
<p><em>Oir la noche                  inmensa, más inmensa sin ella.<br />
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.</em></p>
<p><em>Qué importa                  que mi amor no pudiera guardarla.<br />
La noche está estrellada y ella no está conmigo.</em></p>
<p><em>Eso es todo.                  A lo lejos alguien canta. A lo lejos.<br />
Mi alma no se contenta con haberla perdido.</em></p>
<p><em>Como para                  acercarla mi mirada la busca.<br />
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.</em></p>
<p><em>La misma noche                  que hace blanquear los mismos<br />
árboles.<br />
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.</em></p>
<p><em>Ya no la quiero,                  es cierto, pero cuánto la quise.<br />
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.</em></p>
<p><em>De otro. Será                  de otro. Como antes de mis besos.<br />
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.</em></p>
<p><em>Ya no la quiero,                  es cierto, pero tal vez la quiero.<br />
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.</em></p>
<p><em>Porque en                  noches como ésta la tuve entre mis<br />
brazos,<br />
mi alma no se contenta con haberla perdido.</em></p>
<p><em>Aunque éste                  sea el último dolor que ella me causa,<br />
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.</em></p></blockquote>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/sofaverde.wordpress.com/310/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/sofaverde.wordpress.com/310/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sofaverde.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sofaverde.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sofaverde.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sofaverde.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sofaverde.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sofaverde.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sofaverde.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sofaverde.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sofaverde.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sofaverde.wordpress.com/310/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=310&subd=sofaverde&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Maconha para crianças</title>
		<link>http://sofaverde.wordpress.com/2007/04/01/maconha-para-criancas/</link>
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		<pubDate>Sun, 01 Apr 2007 14:32:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sofaverde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros & Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[O livro infantil &#8220;It&#8217;s Just a Plant&#8221; foi uma iniciativa inusitada que o publicitário Ricardo Cortés tomou em 2004 com o intuito de educar tanto pais como filhos sobre como falar sobre drogas numa idade em que &#8211; apesar de não entenderem completamente a situação, crianças são expostas à drogas todos os dias.
Tendo recebido uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=305&subd=sofaverde&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img src="http://sofaverde.fabrica021.com/wp-content/uploads/cover.jpg" alt="Just a plant" height="421" width="439" />O livro infantil &#8220;<a href="http://www.justaplant.com/index.html" title="It's just a plant">It&#8217;s Just a Plant</a>&#8221; foi uma iniciativa inusitada que o publicitário Ricardo Cortés tomou em 2004 com o intuito de educar tanto pais como filhos sobre como falar sobre drogas numa idade em que &#8211; apesar de não entenderem completamente a situação, crianças são expostas à drogas todos os dias.</p>
<p>Tendo recebido <a href="http://www.justaplant.com/press/index.html" title="Reviews" target="_blank">uma série de críticas positivas</a> de imprensa e público nos EUA, o livro conta a história de Jackie, uma menina que, após flagrar os pais fumando maconha, passa um dia com a mãe aprendendo sobre a planta.</p>
<p align="right">via <a href="http://www.boingboing.net" title="Boing Boing" target="_blank">Boing Boing</a></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/sofaverde.wordpress.com/305/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/sofaverde.wordpress.com/305/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sofaverde.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sofaverde.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sofaverde.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sofaverde.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sofaverde.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sofaverde.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sofaverde.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sofaverde.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sofaverde.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sofaverde.wordpress.com/305/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=305&subd=sofaverde&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Just a plant</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Um homem atrás de seu tempo</title>
		<link>http://sofaverde.wordpress.com/2007/03/27/um-homem-atras-de-seu-tempo/</link>
		<comments>http://sofaverde.wordpress.com/2007/03/27/um-homem-atras-de-seu-tempo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Mar 2007 08:57:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sofaverde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros & Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[De um insone para outro: Godinho registra, em tempo real, a chegada dos 29 anos.
Diante da impossibilidade de dormir as supostas horas que me dou o direito na sua totalidade, resolvi começar o dia um pouco antes. Escrevendo. (&#8230;) É o único compromisso que andei assumindo nesses anos de vida &#8211; hoje, vinte e nove [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=285&subd=sofaverde&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>De um insone para outro: Godinho registra, em tempo real, <a href="http://resmungaria.blogspot.com/2007/03/29-so-cinco-da-manh-e-eu-queria-estar.html" title="29" target="_blank">a chegada dos 29 anos</a>.</p>
<blockquote><p>Diante da impossibilidade de dormir as supostas horas que me dou o direito na sua totalidade, resolvi começar o dia um pouco antes. Escrevendo. (&#8230;) É o único compromisso que andei assumindo nesses anos de vida &#8211; hoje, vinte e nove &#8211; que pretendo manter por mais tempo. (&#8230;)</p>
<p>E o tempo, para as palavras, é mais que senhor. É a sua essência. As palavras e seus produtores e receptores só podem ser analisados sob o prisma do tempo que lhes resta. Há gente neste mundo que não possui tempo para ler, para interpretar, para sentir. Há gente com tempo de sobra até para escrever. O tempo é a marca original de nossa existência, é a única filosofia de vida que consigo aceitar. Nós somos aquilo o que o tempo faz de nós. Parece mesmo uma daquelas frases baratas que encontramos em diálogos de filmes americanos, mas os filmes americanos são tão bem feitos e não vejo nada errado em usá-los a meu favor. Talvez tenha sido o tempo que me fez levantar da cama e tentar com palavras acalmar o corpo, que digita sem entender direito e dói sem me explicar o motivo.</p></blockquote>
<p>Diante da impossibilidade de mandar um presente a essa hora da madrugada, faz-se o possível: toma lá a Cat Power cantando, ao piano, uma versão matadora de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=6vnuOVzXvV0" title="Cat Power - Who knows where the time goes" target="_blank">Who knows where the time goes?</a> Ela confunde a letra toda e toca num andamento estranhíssimo, hesitando muito: entendeu a música direitinho.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://sofaverde.wordpress.com/2007/03/27/um-homem-atras-de-seu-tempo/"><img src="http://img.youtube.com/vi/6vnuOVzXvV0/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/sofaverde.wordpress.com/285/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/sofaverde.wordpress.com/285/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sofaverde.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sofaverde.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sofaverde.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sofaverde.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sofaverde.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sofaverde.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sofaverde.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sofaverde.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sofaverde.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sofaverde.wordpress.com/285/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=285&subd=sofaverde&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		</media:content>

		<media:content url="http://img.youtube.com/vi/6vnuOVzXvV0/2.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>2094: Bispo Macedo é Ele Mesmo em &#8220;Igreja Universal do Reino de Deus&#8221; &#8211; em breve, nos cinemas (de todas as galáxias)</title>
		<link>http://sofaverde.wordpress.com/2007/03/17/2094-bispo-macedo-e-ele-mesmo-em-igreja-universal-do-reino-de-deus-em-breve-nos-cinemas-de-todas-as-galaxias/</link>
		<comments>http://sofaverde.wordpress.com/2007/03/17/2094-bispo-macedo-e-ele-mesmo-em-igreja-universal-do-reino-de-deus-em-breve-nos-cinemas-de-todas-as-galaxias/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 17 Mar 2007 19:57:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sofaverde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bizarro]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Livros & Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é de hoje que os produtos brasileiros fazem sucesso lá fora. A grande e notória aceitação de artigos de luxo &#8211; e outros nem tanto &#8211; como o travesti, as havaianas e a depilação com cêra, prova isso.
Assim mesmo, não deixa de surpreender que o empreendedor religioso Bispo Macedo esteja expandindo seus domínios em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=277&subd=sofaverde&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Não é de hoje que os produtos brasileiros fazem sucesso lá fora. A grande e notória aceitação de artigos de luxo &#8211; e outros nem tanto &#8211; como o <a title="Reportagem Progresso - Tiago" href="http://www.palmalouca.com/reportagem/reportagem.jsp?id_reportagem=69">travesti</a>, as havaianas e a depilação com cêra, prova isso.</p>
<p>Assim mesmo, não deixa de surpreender que o empreendedor religioso <a title="Bispo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bispo_Macedo">Bispo Macedo</a> esteja expandindo seus domínios em diversas partes do planeta. A <a href="http://www.igrejauniversal.org.br/" title="universal">Igreja Universal do Reino de Deus</a> é a comunidade-instituição <a title="Reportagem Universal - Freitas" href="http://www.palmalouca.com/reportagem/reportagem.jsp?id_reportagem=152">escolhida por parcela crescente da população nacional para expurgar seus demônios cotidianos</a>, como desemprego, problemas afetivos e doenças, através do sacrifício pessoal &#8211; leia-se, uma cota de seus rendimentos, que deve ser proporcional ao sacrifício que o indivíduo intenciona fazer e que, por sua vez, deve corresponder ao do problema em questão.</p>
<p>A princípio, não surpreende que ela alcance países subdesenvolvidos, como nossos irmãos<a title="Mapa-mundi Universal" href="http://host.arcauniversal.com.br/endrecosIgreja/mapaMundi/?continente=null"> latino-americanos, asiáticos e africanos</a>, de padrões culturais e econômicos semelhantes, os quais seriam propícios à difusão dessa modalidade de fé da era mercantil. Cita-se: a baixa erudição geral, preconceitos ainda não superados (como o lugar da mulher na sociedade); pouco interesse por assuntos metafísicos e existenciais; e a inocência popular perante a figura do &#8220;charlatão&#8221;. Aliados às mudanças de comportamento e o crescente esvaziamento da fé católica, esses fatores compõem a explicação que se dá, por ora, do &#8220;fenômeno Universal&#8221;.</p>
<p>No entanto, não se dá com a mesma naturalidade o aparecimento da congregação do Bispo na <a title="Inglaterra" href="http://www.uckg.org">Inglaterra</a>, na <a title="Itália" href="http://www.centroai%20uto.it/">Itália</a>, no <a title="Japão" href="http://www.tlajapan.org/">Japão</a> e na <a title="Alemanha" href="http://www.hilfszentrum.de/">Alemanha</a>, onde, se supõe, o desenvolvimento econômico coloca suas populações numa espécie de elite cultural, de caráter mais &#8220;humanista&#8221; (que disputa espaço, no caso do Japão, com a forte cultura tradicional), que seria incompatível com uma &#8220;seita do pobre inculto e ingênuo&#8221;.</p>
<p>Poderia-se dizer também que as filiais estariam atendendo à comunidade brasileira espalhada pelo mundo. Errado. Basta acessar a página principal da Universal britânica para se perceber a diferença de orientação das campanhas de lá. Menos espetáculo da bizarrice e do grotesco de possessões e exorcismos (que remetem ao arcaísmo do Antigo Testamento), e uma abordagem mais mundana, moderna e focada na felicidade pessoal, tudo preparado para um leitor alfabetizado e &#8220;culto&#8221;. Troca-se a catarse de uma sociedade caótica e preconceituosa pela leitura civilizada de um livro de auto-ajuda, como pode ser visto na seção <a title="Loja virtual" href="http://www.uckg.org/UCKG-store/">&#8220;loja virtual&#8221; da UCKG</a>.</p>
<p>Por lá, as &#8220;pombagiras&#8221; também acontecem, mas não levam esse nome. A <a title="Dia das mães Universal" href="http://www.uckg.org/article-main.php">campanha &#8220;em cartaz&#8221;</a> no site conclama as &#8220;mulheres que não estão felizes no Dia das Mães (porque não conseguem conceber)&#8221; a se entregarem a Deus mas, ao mesmo tempo, ao tratamento clínico para infertilidade. É muito mais sutil, sem mencionar demônios, apenas a &#8220;cura pela oração&#8221;.</p>
<p><a title="Loja virtual universal" href="http://www.uckg.org/UCKG-store/">Voltando à loja virtual</a>, o livro em destaque revela outra nuance. O foco também é na mulher, mas uma mulher &#8220;desenvolvida&#8221;. Afinal, em um produto entitulado &#8220;Better than a New Pair of Shoes&#8221; (&#8220;Melhor do que um Novo Par de Sapatos&#8221;), certamente o autor pressupõe o poder aquisitivo e o hábito consumista de seu público.</p>
<p>Aqui, o problema do fiel é conseguir dinheiro e escapar do demônio. Lá, é como gastá-lo bem e dar &#8220;uma mãozinha&#8221; no que médicos e cientistas não conseguem resolver sozinhos. São &#8220;semelhanças diferentes&#8221;. Afinal, &#8220;abismo&#8221; é só uma outra palavra para &#8220;nuance grande&#8221;. Por isso, no final das contas, sexta-feira, continua sendo dia da <a title="Descarrego" href="http://www.uckg.org/Time-table/">Sessão do Descarrego</a>.</p>
<p>(Agradeço a Eduardo Rodrigues por ter me repassado os links dos sites internacioais da IURD, <a title="Cesar Maia" href="http://cesarmaia.blogspot.com/">QUE ELE RECEBEU VIA EX-BLOG DO CESAR MAIA</a>)</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/sofaverde.wordpress.com/277/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/sofaverde.wordpress.com/277/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sofaverde.wordpress.com/277/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sofaverde.wordpress.com/277/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sofaverde.wordpress.com/277/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sofaverde.wordpress.com/277/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sofaverde.wordpress.com/277/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sofaverde.wordpress.com/277/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sofaverde.wordpress.com/277/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sofaverde.wordpress.com/277/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sofaverde.wordpress.com/277/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sofaverde.wordpress.com/277/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=277&subd=sofaverde&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Pós-orgia transestética</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Mar 2007 18:49:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sofaverde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros & Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Obituário]]></category>

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		<description><![CDATA[Na edição de hoje do caderno Mais!, dedicada ao recém-falecido Jean Baudrillard, o físico americano Alan Sokal relembra o trote que aplicou na comunidade acadêmica do país há 11 anos. Na época, Sokal publicou na prestigiosa revista Social Text o ensaio  Transgredindo as Fronteiras &#8211; Em Direção a uma Hermenêutica Transformativa de  Gravidade [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=275&subd=sofaverde&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img alt="baudrillard" src="http://sofaverde.fabrica021.com/wp-content/uploads/baudrillard.jpg" />Na edição de hoje do caderno <a target="_blank" title="Mais! - Folha de S. Paulo" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/inde11032007.htm">Mais!</a>, dedicada ao recém-falecido <a title="NY Times - Obituário" target="_blank" href="http://www.nytimes.com/2007/03/07/books/07baudrillard.html?bl&amp;ex=1173589200&amp;en=a92d7154e3b8d3ae&amp;ei=5087%0A">Jean Baudrillard</a>, o físico americano Alan Sokal relembra o trote que aplicou na comunidade acadêmica do país há 11 anos. Na época, Sokal publicou na prestigiosa revista <a target="_blank" title="Social Text" href="http://socialtext.dukejournals.org/">Social Text</a> o ensaio  <a target="_blank" title="Towards a Transformative Hermeneutics of Quantum Gravity - Alan Sokal" href="http://physics.nyu.edu/faculty/sokal/transgress_v2/transgress_v2_singlefile.html">Transgredindo as Fronteiras &#8211; Em Direção a uma Hermenêutica Transformativa de  Gravidade Quântica</a>, que, como indica o título, não passava de uma colagem sem sentido de clichês e jargões intelectualóides.</p>
<p>Sokal queria provar, numa tacada, a permissividade da academia com a ostentação intelectual, o vazio do discurso empolado de pensadores contemporâneos como Deleuze, Guattari e Baudrillard, e a incapacidade da filosofia pós-moderna de &#8220;alcançar um conhecimento  objetivo das coisas&#8221;, como disse à Folha.</p>
<p>Se o último ponto não pode ser atribuído apenas aos pós-modernos &#8211; o &#8220;conhecimento objetivo das coisas&#8221; é uma espécie de Graal da filosofia &#8211; e o segundo é apenas uma opinião bastante discutível, Sokal parece ter ao menos alcançado sua meta de expor o ridículo dos critérios literários da academia. O artigo não despertou qualquer desconfiança quando foi publicado e a controvérsia que se seguiu à revelação do embuste reacendeu a velha discussão sobre o hermetismo da prosa acadêmica. De um lado, leitores enfastiados com o excesso de referências cifradas e a terminologia altamente especializada (quando não francamente picareta). De outro, autores que se recusam a &#8220;emburrecer&#8221; seus textos para a compreensão das massas.</p>
<p>Professor de literatura da Universidade de Columbia, David Damrosch argumenta, num <a target="_blank" title="The Chronicle - Trading Up With Gilgamesh" href="http://chronicle.com/temp/email2.php?id=svqqGXhvNxCn6fjrpb52DjzHrdyzZzxh">artigo recente</a>, que o problema dos acadêmicos é que não escrevem para o público, e sim uns para os outros:</p>
<blockquote><p>O problema não é que acadêmicos &#8220;não sabem escrever&#8221;, como costuma se dizer, mas que estamos tipicamente engajados no que os estudiosos da Renascença conhecem como &#8220;panelinha literária&#8221;. Na Inglaterra do século XVI, por exemplo, pequenos grupos de aristocratas como Sir Philip Sydney, a irmã dele, Mary Herbert, e seu círculo compunham poemas para entretenimento mútuo, fazendo-os circular em privado de uma propriedade rural a outra. Estudiosos de hoje podem atingir um círculo de certa forma mais amplo, mas a maior parte da prosa acadêmica está inserida num diálogo contínuo entre uma panelinha de especialistas com interesses semelhantes e um histórico de debates em comum.</p>
</blockquote>
<p>Sokal e Damrosch à parte, nenhum protesto contra a enrolação acadêmica é tão eficiente quando o <a target="_blank" title="O Fabuloso Gerador de Lero-Lero" href="http://www.geocities.com/padrelevedo/lerolero/lerolero.html">Fabuloso Gerador de Lero-Lero</a>, que certa vez usei num exercício da saudosa aula de Comunicação &amp; Marketing sobre o tema &#8220;Liderança&#8221;. Bastou acionar a admirável engenhoca virtual e inserir os termos &#8220;líder&#8221; e &#8220;liderança&#8221; em pontos estratégicos do texto. Não guardei o resultado, mas refiz o exercício agora e saiu algo parecido:</p>
<blockquote>
<p align="left">O empenho em analisar o comprometimento entre as equipes afeta positivamente a correta previsão do sistema de formação de quadros que corresponde às necessidades. Percebemos, cada vez mais, que uma liderança eficiente maximiza as possibilidades por conta das novas proposições.  O cuidado em identificar pontos críticos na valorização de fatores subjetivos agrega valor ao estabelecimento dos procedimentos normalmente adotados. Assim mesmo, o bom líder maximiza as possibilidades por conta dos níveis de motivação departamental.</p>
</blockquote>
<p>Antes do fim daquele semestre, a aula de Comunicação &amp; Marketing foi devidamente abandonada, em troca de uma peregrinação mambembe a Machu Picchu. Mas o protesto estava feito.</p>
<p><strong>P.S.</strong> Como o conteúdo da Folha é reservado a assinantes, segue a transcrição da <a target="_blank" title="Folha - O jargão incompreensvel" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1103200708.htm">entrevista com Alan Sokal</a>:<span id="more-275"></span></p>
<p><strong>O JARGÃO INCOMPREENSÍVEL<br />
</strong></p>
<p><em>O físico Alan Sokal relembra seu ataque bombástico aos pós-modernos, 11 anos atrás</em></p>
<p>Em 1996, o físico americano Alan Sokal provocou uma enorme turbulência no meio intelectual, sobretudo entre os chamados pós-modernos, ao pregar uma peça na revista &#8220;Social Text&#8221;. Ele enviou à revista de ciências humanas -afinadas com essa linha teórica- um texto sem pé nem cabeça, mas que se servia de um pesado linguajar acadêmico, a começar pelo título: &#8220;Atravessando as Fronteiras &#8211; Em Direção a uma Hermenêutica Transformativa de Gravidade Quântica&#8221;.<br />
Seu objetivo era provar que obras de autores como Gilles Deleuze, Félix Guattari e Julia Kristeva eram pouco rigorosas, além de todos, segundo Sokal, serem avessos à possibilidade de alcançar um conhecimento objetivo das coisas.</p>
<p>Meses depois, revelaria o embuste, que acabaria por desenvolver no livro &#8220;Imposturas Intelectuais&#8221; (ed. Record), escrito em parceria com o também físico Jean Bricmont. Onze anos depois da celeuma, Sokal fala à Folha sobre o que mudou desde então e compara os &#8220;estilos&#8221; de Baudrillard, Deleuze e Kristeva. (MARCOS FLAMÍNIO PERES)</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como o sr. avalia o caso  &#8220;Social Text&#8221;, passados 11 anos? O  que mudou hoje?</strong></em></p>
<p><em><strong>ALAN SOKAL </strong></em>- Acredito que o escândalo em torno da publicação de meu artigo paródico na  &#8220;Social Text&#8221; &#8211; e, mais tarde, a  publicação de meu livro &#8220;Imposturas Intelectuais&#8221;, em co-autoria com Jean Bricmont -,  teve um efeito salutar, pois estimulou o debate sobre o abuso  do jargão por alguns pós-modernistas proeminentes.  Estudantes e professores não  ficam mais intimidados em dizer &#8220;não entendo isso. O que de  fato isso significa?&#8221;.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O que o sr. critica na obra e  nos textos de Baudrillard?</strong></em></p>
<p><em><strong>SOKAL </strong></em>- Muitos dos textos dele são escritos em um estilo pomposo que parece ser profundo, mas cujo significado preciso (no caso de haver algum) está longe de ser claro. Bricmont e eu concluímos nossa análise dos abusos de Baudrillard afirmando que &#8220;se encontram nas obras dele uma profusão de termos científicos, usados com displicência em relação a seus significados, e, acima de tudo, em um contexto em que são claramente irrelevantes. [...] Além disso, a terminologia científica vem misturada com um vocabulário não-científico, que é empregado com igual falta de rigor&#8221;.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Em que Baudrillard comete imposturas? Eram melhores ou  piores que as de Deleuze e Kristeva?</strong></em></p>
<p><em><strong>SOKAL </strong></em>- As imposturas são de  vários tipos, então é difícil estabelecer uma ranking unidimensional de acordo com o  &#8220;grau de impostura&#8221;.  Baudrillard escreve sentenças pomposas repletas de terminologia supostamente científica, que são ao mesmo tempo  banalidades travestidas de profundidades e totalmente sem  sentido.  O estilo de Deleuze é similar,  mas com a pretensão de ser  uma profunda contribuição à  filosofia. O estilo de Kristeva é menos frenético, mas ela intimida seu leitor com fatos altamente técnicos tirados da teoria ou análise matemáticas &#8211; que, posteriormente, se mostram irrelevantes para os temas (por exemplo, a linguagem poética).</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; A &#8220;invasão&#8221; de pensadores franceses, como Baudrillard,  sempre foi vista com restrição em alguns círculos acadêmicos dos EUA. O  sr. se coloca entre eles?</strong></em></p>
<p><em><strong>SOKAL </strong></em>- Para mim, as idéias  não têm nacionalidade. Boas  idéias devem ser aceitas não  importa de onde venham; más  idéias devem ser rejeitadas, não  importa de onde venham. A nacionalidade de um autor  é irrelevante.</p>
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		<title>Cosac naïf</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Feb 2007 02:27:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sofaverde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Design]]></category>
		<category><![CDATA[Livros & Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[O garboso cavalheiro da foto acima se chama Charles Cosac. Se você alguma vez passou mais de meia hora numa livraria lutando contra o impulso de torrar uma pequena fortuna num daqueles livros excelentes em edições luxuosas a preços proibitivos, esse perfil publicado na Vejinha-SP é sua chance de conhecer o culpado:
Do suntuoso dúplex e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=256&subd=sofaverde&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img width="439" height="327" alt="cosac1" src="http://sofaverde.fabrica021.com/wp-content/uploads/cosac1.jpg" />O garboso cavalheiro da foto acima se chama Charles Cosac. Se você alguma vez passou mais de meia hora numa livraria lutando contra o impulso de torrar uma pequena fortuna num daqueles <a target="_blank" title="Cosac Naify" href="http://www.cosacnaify.com.br/intro.asp">livros excelentes em edições luxuosas a preços proibitivos</a>, esse perfil publicado na Vejinha-SP é sua chance de conhecer <a target="_blank" title="Charles Cosac - O dândi de Higienópolis" href="http://veja.abril.com.br/vejasp/301105/perfil.html">o culpado</a>:</p>
<blockquote><p>Do suntuoso dúplex e do conforto de seu vestuário, Cosac só sai por obrigação, movido a calmantes, antidepressivos, Coca-Cola e três maços de cigarros por dia. Quando esse coquetel não resolve, liga para o psiquiatra que o atende há sete anos. &#8220;Ele é a pessoa mais importante para mim&#8221;, atesta o paciente, que mandou bordar o nome do médico nas toalhinhas do lavabo.</p></blockquote>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/sofaverde.wordpress.com/256/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/sofaverde.wordpress.com/256/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sofaverde.wordpress.com/256/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sofaverde.wordpress.com/256/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sofaverde.wordpress.com/256/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sofaverde.wordpress.com/256/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sofaverde.wordpress.com/256/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sofaverde.wordpress.com/256/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sofaverde.wordpress.com/256/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sofaverde.wordpress.com/256/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sofaverde.wordpress.com/256/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sofaverde.wordpress.com/256/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=256&subd=sofaverde&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Mapa de decepções</title>
		<link>http://sofaverde.wordpress.com/2007/01/14/mapa-de-decepcoes/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Jan 2007 16:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sofaverde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros & Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Num excelente artigo publicado no Guardian, a escritora inglesa Zadie Smith aprofunda a reflexão citada aqui há algum tempo sobre a relação entre escritor e leitor.  É uma leitura comovente para qualquer um que se interesse por literatura e pense nela como, antes de tudo, uma forma de comunicação.
O que torna esse texto tão [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sofaverde.wordpress.com&blog=2068293&post=244&subd=sofaverde&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img alt="zadie2" src="http://sofaverde.fabrica021.com/wp-content/uploads/zadie2.JPG" />Num <a title="Fail better - Zadie Smith" target="_blank" href="http://books.guardian.co.uk/review/story/0,,1988887,00.html">excelente artigo</a> publicado no Guardian, a escritora inglesa Zadie Smith aprofunda a reflexão <a title="O leitor ideal" target="_blank" href="http://sofaverde.fabrica021.com/2006/11/20/o-leitor-ideal/">citada aqui há algum tempo</a> sobre a relação entre escritor e leitor.  É uma leitura comovente para qualquer um que se interesse por literatura e pense nela como, antes de tudo, uma forma de comunicação.</p>
<p>O que torna esse texto tão especial é que a autora assume de antemão que o escritor está destinado ao fracasso: a comunicação que ele quer estabelecer com o leitor é tão profunda, a empreitada tão ambiciosa, que o resultado jamais se aproximará de seu objetivo inicial.</p>
<blockquote><p>O romance que ele trouxe para a existência não é o romance perfeito que pairava tão tentadoramente sobre seu computador. Pelo contrário, é um simulacro pobre, a sombra de uma sombra. Na transição do sonho para o real, perdeu sua aura de perfeição; sua forma está corrompida, irreconhecível. Algo interferiu no caminho, algo quase impossível de articular.</p>
</blockquote>
<p>Esse obstáculo entre o romance sonhado e o real, claro, é o próprio escritor, suas falhas e limitações. O livro que chega às mãos do leitor é uma versão necessariamente impura daquela visão inicial, o que leva um dos autores entrevistados por Zadie Smith a descrever a história da literatura como &#8220;um mapa de decepções&#8221;.</p>
<p>Mas há um paradoxo aí: se o escritor está fadado a fracassar em sua tentativa de arrancar um romance do plano das idéias, ele também é o único que pode fazer o serviço. A versão &#8220;contaminada&#8221; por ele é a única a que temos acesso. A forma como consegue impregnar o romance com as impurezas de sua personalidade se torna, então, a medida de seu sucesso e define aquilo que costumamos chamar de &#8220;estilo&#8221;.</p>
<blockquote><p>Grandes estilos representam a interface entre o &#8220;mundo&#8221; e o &#8220;Eu&#8221;, e a própria noção de que essa interface pode ser diferente da sua em tipo e qualidade é onde reside o poder da ficção. Escritores falham conosco quando essa interface é feita sob medida para nós, quando cede às generalizações de seu tempo, quando nos oferece um mundo que sabe que vamos aceitar porque já o vimos na televisão. Literatura ruim não faz nada, não muda nada, não educa emoção alguma, não rearranja circuito interno algum &#8211; fechamos o livro com a mesma confiança metafísica na universalidade de nossa própria interface que tínhamos antes de abri-lo. Mas a grande literatura &#8211; a grande literatura força você a se submeter à visão dela. Você passa a manhã lendo Tchekhov e, à tarde, caminhando pela vizinhança, o mundo se tornou tchekhoviano; a garçonete no café oferece um non-sequitur, um cão dança na rua.</p>
</blockquote>
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