Hoje, 3 de maio, comemora-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Por causa da data, a Associação Nacional de Jornais publicou um anúncio de meia página no primeiro caderno de O Globo. É grande demais pra escanear e não encontrei uma versão digital, por isso vale a descrição da peça: sob retratos de Hitler, Stalin, Pinochet, Mao, Mussolini e Franco, dispostos em duas fileiras de três imagens, se lê, em letras garrafais “Dia de se revirar no túmulo”. Abaixo dessa frase, em letras miúdas, está escrito: “3 de maio. Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Dia de alerta para que isso não volte a acontecer”.
“Isso” o quê? Ditaduras inimigas da liberdade de imprensa em países distantes? Então quer dizer que o gorilato tupinambá era gente boa? Médici, Geisel e Cia foram defensores impolutos da livre expressão? Qual é.
Pura bravata. Os defensores da liberdade de imprensa que publica uma propaganda como essa são do mesmo tipo daqueles que derrubaram a discussão da Ancinav e que agora querem barrar a criação da tv pública. Os do tipo demagogo e antidemocrático.
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A perplexidade com a peça de propaganda reveladoramente omissa da ANJ foi o digestivo perfeito para um ótimo post do blog Todos os Fogos o Fogo, publicado pelo cientista político e jornalista Maurício Santoro, que li antes de abrir o jornal. No texto, ele reflete sobre a recente valorização do direito à memória nos países do Cone Sul como uma ferramenta poderosa do fortalecimento das instituições democráticas e compara o fenômeno com o que chama de “chocante desconhecimento” da história brasileira “em todas as classes sociais e níveis de escolaridade”. Tudo a ver.
2 Comentários
Maio 9, 2007 às 2:08 pm
a mídia poderia ser uma coisa boa, como todo e qualquer instrumento de qualquer coisa na vida, mas, no caso, não é. só porque foi desenhada para cumprir uma função nobre, acham que o uso nobre dela é intrínseco. no final, são o instrumento do biopoder (ohhhhh).
mídia irritante!
Maio 9, 2007 às 5:30 pm
eu fiquei chocada com a propaganda também.