Março 27, 2007...5:57 am

Um homem atrás de seu tempo

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De um insone para outro: Godinho registra, em tempo real, a chegada dos 29 anos.

Diante da impossibilidade de dormir as supostas horas que me dou o direito na sua totalidade, resolvi começar o dia um pouco antes. Escrevendo. (…) É o único compromisso que andei assumindo nesses anos de vida – hoje, vinte e nove – que pretendo manter por mais tempo. (…)

E o tempo, para as palavras, é mais que senhor. É a sua essência. As palavras e seus produtores e receptores só podem ser analisados sob o prisma do tempo que lhes resta. Há gente neste mundo que não possui tempo para ler, para interpretar, para sentir. Há gente com tempo de sobra até para escrever. O tempo é a marca original de nossa existência, é a única filosofia de vida que consigo aceitar. Nós somos aquilo o que o tempo faz de nós. Parece mesmo uma daquelas frases baratas que encontramos em diálogos de filmes americanos, mas os filmes americanos são tão bem feitos e não vejo nada errado em usá-los a meu favor. Talvez tenha sido o tempo que me fez levantar da cama e tentar com palavras acalmar o corpo, que digita sem entender direito e dói sem me explicar o motivo.

Diante da impossibilidade de mandar um presente a essa hora da madrugada, faz-se o possível: toma lá a Cat Power cantando, ao piano, uma versão matadora de Who knows where the time goes? Ela confunde a letra toda e toca num andamento estranhíssimo, hesitando muito: entendeu a música direitinho.

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