Vi o último show da temporada do Chico no Canecão, domingo. Foi excelente, como era de se esperar, com clima de fim de festa e bis demorado. Lá pelo terceiro bis, depois de uma seqüência de músicas mais introspectivas que dançantes, ele deu a senha – “Agora vamos ao samba!” – e o show virou o Baile Pré-Carnavalesco do Julinho da Adelaide que o público tanto esperava.
Engraçado foi ver as respeitáveis senhoras da platéia (e muitas não tão senhoras assim) sucumbirem ao clichê do “Chico-eu-te-amo!” durante o show. Entendo os sentimentos que o homem ainda é capaz de despertar nos corações femininos, mas o que as leva a manifestá-los aos berros é um mistério.
A mulher sentada atrás de mim começou sussurrando “Lindo…”, passou para o clássico “Chiiiicooooo!”, e terminou inventando um apelido só dela, “Chiquinho!”, que fazia questão de gritar no meio das músicas mais calmas, talvez para ter certeza de se fazer ouvir. Perto do fim do show, uma outra ficou com o rosto vermelho de tanto gritar. Quando viu que incomodava os vizinhos, justificou, sem desligar a sirene: “Só o Chico faz isso comigo!”.
Mas a campeã foi a moça que estava de pé na minha frente (preferi ficar em pé, atrás do setor A – qualquer coisa é melhor que as poltronas do Canecão). Depois de transformar o corredor em pista de dança durante “Morena de Angola”, ela dedicou o resto da noite a tirar fotos do Chico. Deve ter visto dois terços do show pelo visor da máquina digital. Ia até o palco, voltava, procurava um ângulo novo. Até que teve uma idéia: virou de costas, esticou-se na ponta dos pés, abriu o melhor sorriso e enquadrou, lado a lado, seu rosto e a imagem gigantesca do Chico projetada no telão. Repetiu a foto várias vezes, até se dar por satisfeita.
O destino dessa foto, isso é outro mistério. Talvez a mocinha realmente acredite que o Rio, um dia, será uma cidade submersa. Daqui a milênios, quem sabe, os escafandristas entenderão…
1 Comentário
Fevereiro 14, 2007 às 10:00 am
não tinha o público gay soltando a franga, não? imagina, o barbudão desmunhecando e falando: “desculpa, só o chico faz isso comigo”.
gostei da versão minicraque de massinha que ilustra a matéria.