O jornal argentino La Nacion noticia hoje as apresentações do violonista, cantor e compositor espanhol Joan Manoel Serrat em Buenos Aires. O bardo catalão, galã na juventude e sujeito com pinta de galego dono de mercearia na maturidade, lotou o Gran Rex, mitológica casa de shows portenha, e o mesmo deve acontecer nos lugares onde se apresentará em Montevidéu e Assunção.
Se Serrat aparecesse por aqui, entretanto, seria bastante diferente. Provavelmente, suas boas letras e seus arranjos algo bregas cairiam no vazio de um Canecão meia-boca em mais uma ilustração do estranhamento que parece haver entre nós, brasileiros, e a música em língua espanhola. A menos que levemos em conta discos imortais como “Roberto Carlos: en español“, o ouro puro da discografia de Don Iglesias ou ainda coisas mais (menos?) dançantes como Shakira e Ricky Martin, que nos chegam na esteira dos lançamentos das gigantes fonográficas para o “mercado latino” pós-menudo.
Ainda que caras como Fito Paez encham casas de shows no Rio e em São Paulo, músicos hispanohablantes não têm guarida por aqui. Se Fito é tratado de maneira quase calorosa em Pindorama, no Rio da Prata (e além) ele é semi-deus, como os excelentes Luis Alberto Spinetta e Charly Garcia (na foto ao lado), dono de indefectível bigode bicolor. Pelo mesmo caminho vão novidades interessantíssimas como Me Darás Mil Hijos e a Pequeña Orquestra Reincidentes, pra ficar apenas nos argentinos. Sem falar nos espanhóis do Jarabe de Palo, nos colombianos do Las Malas Amistades e em Sílvio Rodriguez, principal expoente da nova trova cubana, que, há decadas, arrasta multidões por onde quer que passe, e em trezentas outras bandas e artistas solo que espocam pela América Latina afora e, em menor quantidade, pela fatia mais gorda da península ibérica.
Salvo raras exceções, como o competente uruguaio Jorge Drexler, são poucos os músicos latino-americanos ou espanhóis que se dão bem por aqui, apesar da proximidade geográfica e lingüística. Também salvo raras exceções, nós saímos perdendo.
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Em tempo: não deixem de dar uma passeada pelo excelente www.rock.com.ar que, como indica o endereço, é um site sobre rock argentino. O destaque da página é a Enciclopedia del rock argentino que, se não dá conta de todas novidades roqueiras rioplatenses, o faz, com direito a minúcias, quando o assunto é a história dos dinossauros sagrados da música de nosso vizinho. Atenção especial deve ser dispensada aos verbetes Charly Garcia, Fito Paez, Luis Alberto Spinetta e bandas correlatas.
4 Comentários
Janeiro 24, 2007 às 8:50 am
Eu não sei nem comprar pó em espanhol.
Janeiro 24, 2007 às 10:18 am
e cadjudjinho? você sabe?
Janeiro 24, 2007 às 4:34 pm
Hahah e se dependesse de vc, até mesmo o canecão ficaria deserto. pobre serrat…
Janeiro 25, 2007 às 2:07 pm
Além dos dois discos deles serem ótimos, Me Darás Mil Hijos é o melhor nome de banda que eu conheço. ME DARÁS MIL HIJOS. A Pequeña Orquesta é muito boa também.
Tem ainda várias bandas legais que misturam tango com música eletrônica: Tango Crash, Bajo Fondo Tango Club, Gotan. E uma que não mistura com nada, é tango puro, chamada Orquesta Tipica Fernandez Fierro. Escuta essa, é muito boa. Eles vêm ao Brasil em fevereiro.