Está em cartaz na programação do Canal Brasil um ótimo filme de Cláudio Cunha. Amada Amante é mais uma sensacional pornochanchada – um estilo que, infelizmente, se perdeu no tempo. Protagonizado por uma pubescente Sandra Bréa e Luis Gustavo em seus anos de Beto Rockfeller, o filme é sobre uma família conservadora que se muda do interior de São Paulo para o Rio de Janeiro. Augustinho, o pai, impõe seus valores antiquados sobre as duas filhas e filho a medida que esses vão se envolvendo com outras pessoas e começando a descobrir a própria sexualidade.

Enquanto a filha mais velha flerta com uma amiga lésbica, o filho passa metade do filme aos amassos com a vizinha do andar de cima. Mas o foco principal é no caso de Fátima (Sandra Bréa) com Tuca (Luis Gustavo) que tem a completa reprovação de Augustinho. Mas a história da uma reviravolta quando esse, inicia um caso com sua secretária.
Segue um trecho de entrevista com o diretor:
Eu tinha o título “Amada Amante” registrado na Biblioteca Nacional desde que o Roberto Carlos lançara a música. Um dia, eu comentei numa distribuidora que estava tentando levantar fundos para um filme com esse título. Só que o Luiz Carlos Barreto estava por lá, cresceu o olho e, na semana seguinte, já tinha comprado os direitos da música do Roberto para fazer um filme com o mesmo nome, sem saber que eu já o tinha registrado. Aí aconteceu algo inusitado: os dois filmes começaram a ser filmados ao mesmo tempo, e na mesma cidade – Rio de Janeiro, para onde eu viajei com a equipe. Era meu primeiro filme com elenco de peso (Sandra Bréa, Luis Gustavo), e eu queria muito filmar no Rio, pois a história era a de uma família que se mudava do interior de São Paulo para lá. E, enquanto a gente filmava, a briga na justiça corria solta por causa do título. O Barreto chegou a dar uma entrevista em que me acusava: “Cláudio Cunha é um gangster da Boca do Lixo”, ele disse. Até entrei com processo na Lei de Imprensa, fiz ele se retratar e tal. Depois de muita polêmica, fiquei com o título e ele com a música. Essa briga toda é citada no livro do Walter Clark (página 240), em que ele conta: “Perdemos a briga de ‘Amada Amante’ para o Cláudio Cunha; o filme dele fez dois milhões de espectadores, enquanto o nosso fez apenas 200 mil. Esses Barretos não entendem nada de cinema”. Adoro essa passagem, mas tenho uma correção a fazer: “Amada Amante” não fez dois milhões de espectadores, e sim 8 milhões.