Não sou profundo conhecedor de quadrinhos, por isso nunca tinha ouvido falar do ilustrador americano Dave Cockrum até hoje, quando li sobre sua estranha e pacífica morte, aos 63 anos. Cockrum é considerado um dos responsáveis pela popularização da Marvel Comics nos anos 70, quando injetou vida nova nas antes insossas histórias dos X-Men criando personagens como Tempestade, Noturno, Colossus, Mística – mas não sou fã de quadrinhos, já disse, e esses nomes nada significam para mim.
Cockrum faleceu numa manhã de domingo, no fim de novembro, enquanto cochilava em sua poltrona favorita, vestindo um pijama do Super-Homem e coberto por um lençol do Batman. O caro leitor há de rir dessa cena – foi minha primeira reação também. Mas a visão do simpático gorducho da foto acima deixando o mundo embalado em memorabilia nerd tem algo de pungente. É impossível não imaginar que tenha morrido feliz.
Costumamos louvar aqueles que saem da vida aos pinotes, fazendo barulho. Com artistas, isso é ainda mais comum: são os rebeldes, os vanguardistas, os que deixaram sua marca. Cockrum partiu serenamente, cercado pelas pessoas e coisas que amava, deixando um rastro de trabalho criativo e admirado. Lembremos dele, então, não como o gordo de suspensórios que foi, mas como a figuraça que era, em sua imaginação:
Cockrum morreu depois de anos lutando contra complicações causadas por diabetes. A seu pedido, teve as cinzas espalhadas por sua propriedade, na cidadezinha de Belton, Carolina do Sul. Foi cremado usando uma camisa do Lanterna Verde.
1 Comentário
Dezembro 13, 2006 às 10:12 pm
bacana