Novembro 24, 2006...1:03 am

A grande ciganada

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AmiciEm mais um golpe numa semana dura para os cinéfilos, foi-se ontem o ator francês Philippe Noiret, aos 76 anos. Se correr, talvez ainda pegue carona na barca de Robert Altman, poupando uma viagem ao velho Caronte.

Noiret fez sucesso nas últimas décadas com sua interpretação de Neruda em O carteiro e o poeta e no lacrimoso Cinema Paradiso, mas não será por esses papéis que o versátil ator de mais de 120 filmes será lembrado aqui.

Em Meus caros amigos, do italiano Mario Monicelli, Noiret (na foto, ao centro) interpreta o jornalista Giorgio Perozzi, protagonista e narrador da história de cinco amigos de meia-idade que jogam tudo para o alto e embarcam numa jornada afetiva pelo interior da Itália.

Ao fim de mais um dia de trabalho, a madrugada já alta, Perozzi sai da redação atrás de um bar onde possa tomar a consoladora. Na única porta aberta que encontra, o proprietário está sonolento e mal-humorado, os bêbados já atravessaram a fronteira da incomunicabilidade e até as prostitutas encerraram o expediente.

Indignado, entra no carro e acorda os amigos um a um, convocando-os para o velho ritual da “ciganada” – viagens sem destino que o grupo empreende de tempos em tempos para tirar a poeira da rotina. Todos aceitam, é claro, e o passeio pelo país logo se transforma numa excursão nostálgica ao passado.

Ciganada

O filme não tem propriamente uma trama. O roteiro é uma costura de velhas histórias evocadas pelos amigos durante a viagem: o caso amoroso que um deles mantém com uma colegial; o esporte coletivo de estapear passageiros de trens em movimento; a ocasião em que forjam um conflito entre facções da máfia só para atazanar um chatíssimo freguês do bar que costumam freqüentar.

Com seu ar bonachão, Noiret faz de Perozzi o ponto de equilíbrio do quinteto. O filme tem a habilidade rara de captar a essência do material de que são feitas as amizades. Os cinco são radicalmente diferentes, mas – ou talvez por isso mesmo – dão-se muito bem, acostumados que estão às idiossincrasias uns dos outros.

A amizade não ficava restrita à tela: a camaradagem entre atores e diretor era tanta que decidiram reunir-se outra vez, sete anos depois, numa continuação, batizada por aqui de “Quinteto irreverente”. Ontem, Noiret juntou-se aos colegas de elenco Ugo Tognazzi, Duilio Del Prete e Adolfo Celi na derradeira ciganada. Aos 91 anos, ainda ativo e lúcido, Monicelli deve estar preparando o estoque de uísque para a viagem.

6 Comentários

  • supercazzola prematurata comme si fosse antanio con scapelamento à destra anti-furto pra ele.

  • caralho, não sabia que “il boss” estava morto também, pelo menos nos resta MELANDRONE.

  • antani come se fosse tarapia tapioco supercazzola bifumata allo scappellamento à destra.

  • bom mesmo é na hora que ele come a mulher do padeiro e depois vai a padaria e compra com o próprio um croissant em forma de chifre chamado de “cornetti”

  • jornalistas que jogam tudo para o alto e vão viajar? boa idéia…

  • [...] Depois da morte Robert Altman e Philippe Noiret, foi a vez de Jece Valadão, o cara mais durão do cinema nacional, entrar pelo cano eterno aos 76 anos de idade. O Demo deve estar produzindo um longa metragem. Ou será Deus? A julgar pela trajetória de Valadão, que morreu de insuficiência respiratória hoje em São paulo, as duas possibilidades são plausíveis. [...]


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