
(ou uma resposta às acusações de neoliberalismo)
A década de 80 ficou conhecida em todos os paÃses da América Latina como “A Década Perdida”. O crescimento do decênio anterior (para nós, o famoso “Milagre Brasileiro” do regime militar) tinha sido obtido, em grande parte, através de endividamentos com juros flexÃveis. O aumento da taxa de juros americana em 1979, parte da “polÃtica do dólar forte” para reerguer uma economia desestabilisada pelos choques do petróleo, provocara um efeito cascata em todo o mundo.
Os Estados latino-americanos foram, do dia pra noite, à bancarrota. Tinha inÃcio a “crise da dÃvida”. Começando pelo México em 1982, quase todos os governos da região seriam obrigados a pedir moratória de suas dÃvidas externas. Simplesmente não havia recursos em caixa para pagar os credores internacionais.
Quebrados, os paÃses em desenvolvimento não tinham a quem recorrer. A única instituição credora passara a ser o Fundo Monetário Internacional. Mas, para receber financiamentos do FMI, as nações endividadas se viam obrigadas a concordar com uma série de imposições.
Cabe ressaltar que, após a 2ª Guerra Mundial, o ideário keynesiano, pregador de um Estado interventor e essencial à construção dos welfares states europeus e à s polÃticas nacional-desenvolvimentistas latino-americanas, era predominante. Entretanto, por volta dos anos 60, aumentaria o prestÃgio acadêmico da chamada Escola de Chicago, formadora de pensadores como o recém-falecido Milton Friedman, que advogavam a ineficiência de economias centralmente planificadas. Começava a surgir com força no meio polÃtico a corrente econômica neoliberal, institucionalizada nos governos Reagan e Thatcher.
Para o FMI, fortemente influenciado por diversos think tanks liberais de Washington, a América Latina não passava de um conjunto de Estados corruptos, burocráticos e falidos. A diminuição das máquinas estatais parecia ser o melhor caminho. O receituário neoliberal exigido pelo fundo ia nessa direção: amplo processo de privatizações, redução nos gastos públicos e forte abertura econômica. A esse conjunto de polÃticas públicas o economista americano John Williamson, um de seus idealizadores, chamaria “Consenso de Washington”.
Os resultados para o continente foram desastrosos. Com exceção do Chile, que abrira mão de seu processo industrial e consolidara-se como nação agro-exportadora ainda durante a ditadura Pinochet na década de 70, não observou-se um amplo crescimento econômico como prometido pelos tecnocratas de Washington. E, ainda pior, os nÃveis de pobreza e as desigualdades sociais aumentaram exponencialmente – conseqüências diretas de uma não planejada abertura ecônomica. De Tijuana à Terra do Fogo, os latino-americanos continuavam a conviver com a miséria.

O Consenso de Washington, sem sombra de dúvida, falhara. Mas por quais razões?
Williamson, em discurso feito em 2002 ao Institute for International Economics (não por coincidência um dos muitos thinks tanks presentes na capital norte-americana), tenta achar uma solução:
It is difficult even for the creator of the term to deny that the phrase “Washington Consensus” is a damaged brand name.Audiences the world over seem to believe that this signifies a set of neoliberal policies that have been imposed on hapless countries by the Washington-based international financial institutions and have led them to crisis and misery. There are people who cannot utter the term without foaming at the mouth.
My own view is of course quite different. The basic ideas that I attempted to summarize in the Washington Consensus have continued to gain wider acceptance over the past decade, to the point where Lula has had to endorse most of them in order to be electable. For the most part they are motherhood and apple pie, which is why they commanded a consensus.
Pois bem. Para o pai da criança, o ideário do Consenso não só continua válido, como é cada vez mais aceito pelos pensadores econômicos contemporâneos.
Se o problema não eram as propostas, por que, então, o projeto neoliberal deu tão errado? Williamson tem resposta simples: já que a culpa não é das polÃticas, é, pois, dos governos.
Countries ought not to have adopted the Washington Consensus as an ideology. As Moisés NaÃm said, an ideology is a thought—economizing device. There will always be other things that matter besides those included in any attempt to lay out a general set of policy guidelines, and for a policymaker to imagine that s/he can stop thinking and simply follow a set of policies that someone else has concocted is irresponsible.
A postura dos governantes latino-americanos foi irresponsável. Taà uma boa justificativa. John Williamson já pode ser considerado um novo Pôncio Pilatos.
(Em tempo, mais pano pra manga: O Centro de Ciências JurÃdicas e Econômicas da UFRJ promove nos dias 23 e 24 de novembro seminário entitulado “Alternativas ao Neoliberalismo”. Entre os participantes estão o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa e o sociólogo Chico de Oliveira, da USP. Informações pelo telefone 21 3873-5300 ou por aqui)
3 Comentários
Novembro 23, 2006 Ã s 10:42 pm
segundo o guilherme, a solução para todo esse estado de coisas que aà está é privatizar a petrobras…
Novembro 23, 2006 Ã s 10:58 pm
Bernardo = JUVENTUDE CESAR MAIA
Agosto 27, 2007 Ã s 3:36 pm
enter text? test, sorry
dfdf767df