É que esse papo sobre o Pereira Passos – engenheiro e prefeito do Rio de Janeiro no ano de 1903 – me lembrou uma das minhas histórias preferidas da cidade, que me vem à cabeça o tempo todo em minhas andanças.
Isso porque esse é um lugar marcado pela desordem urbana que, perante a catástrofe sempre iminente, emana a tal da beleza caótica. Também é marcado pelas grandes soluções audaciosas que, ao evitar a catástrofe, geram uma cagada nova, ainda maior, que é toda a matéria-prima que a cidade precisa para gerar mais de sua beleza. É a eterna decadência transformada em eterna crista de onda. É mangífico, não dá para negar.
Pois, em matéria de gerar novas cagadas, Pereira Passos é pura musa, pura inspiração, até os dias de hoje. Em seu tempo, ficou conhecido como o “Bota-Abaixo” por conta das impiedosas reformas que promoveu e que redesenharam a cara da cidade, removendo diversos cortiços dos tempos do Império para abrir, no peito e na raça, a avenida Rio Branco.
Na época, o slogan que dá título ao post podia ser conferido nos anúncios das melhores companhias de viagens de navio com trajetos sul-americanos. Os ratos dominavam a zona portuária e todas as outras zonas cariocas e o cheiro putrefato se tornara o cartão de visitas da cidade, afastando tudo que podia trazer os ingleses e sua grana.
Até que os politicos resolveram tomar medidas drásticas. Como diz o ditado: “to make an omelet, you gotta break some eggs”. Então, numa jogada de mestre, digna de Kleber Leite trazendo o Roma para jogar no Fla, Pereira Passos e o presidente Rodrigues Alves trouxeram seu reforço de peso: o sanitarista portuga Oswaldo Cruz.
Juntos, os três visionários (pelo menos para os padrões da Velha República), formaram o DREAM TEAM da reforma municipal e conseguiram dar nos nervos de toda uma torcida do Flamengo, se tornando os pivôs da rebelião que marcaria para todo o sempre a geografia, a cultura, a sociedade, a economia, o imaginário, enfim, a VIDA CARIOCA.
Desses, quem saiu menos chamuscado foi o galego Oswaldo Cruz, pois seguiu uma carreira gloriosa e se tornou ídolo de todas as torcidas. Chegou, inclusive, a ser institucionalizado, atraindo montanhas de dinheiro em investimento (para pesquisa) e sustentanto diversas famílias. Nada que o Romário também não tenha feito.
Ah, falo, é claro, da Revolta da Vacina, se é que alguém não sabe.
E que venha o Pan.